Dicas Educação Escola

Tudo sobre alfabetização e letramento na educação infantil!

Escrito por Lilo

Alfabetização e letramento são o arroz com feijão da educação infantil. Todas as escolas trabalham essas competências por elas serem essenciais para o domínio da leitura e da escrita, a estrutura básica sobre a qual os outros conhecimentos podem ser comunicados na escola.

Apesar de essenciais para a educação infantil, trabalhar com alfabetização e letramento pode apresentar desafios inesperados e algumas dificuldades. Não é nenhum demérito precisar de ajuda para superar esses obstáculos do dia a dia em sala de aula.

Nesse artigo, vamos apresentar algumas dicas para facilitar o trabalho de ensinar o be-a-bá para as crianças. Vamos ver?

O que são alfabetização e letramento?

Para começar a conversa, vamos entender a diferença entre alfabetização e letramento. Esses termos, normalmente usados em conjunto, significam duas partes diferentes do processo de ensinar a criança a ler e escrever.

A alfabetização é um tanto quanto utilitarista: é o ensino da leitura e da escrita de forma básica. É o mínimo esperado para que a pessoa consiga se comunicar por meio da escrita, seja lendo ou escrevendo.

Já o letramento está mais relacionado à experiência humana com a linguagem. Ser uma pessoa letrada vai além de saber escrever e ler. A distinção está em ter um controle da forma como a comunicação escrita é compreendida.

Nas crianças, a distância entre alfabetização e letramento é menor que para os adultos. Você provavelmente conhece mais pessoas alfabetizadas do que analfabetas. Mas, ao mesmo tempo, nem toda pessoa alfabetizada consegue consegue escrever ou interpretar a maioria dos tipos textuais empregados na sociedade.

Por isso, é importante fazer a ponte entre alfabetização e letramento o mais cedo possível, de preferência tão logo a criança comece a compreender melhor as letras.

Dificuldades da alfabetização e do letramento

A alfabetização no Brasil acontece por diferentes métodos que podem ser divididos em dois grandes grupos, e não há consenso sobre qual deles seria mais eficiente.

Criança escrevendo em caderno. Alfabetização e letramento.

Alguns professores preferem abraçar o chamado método fônico, mais tradicional, que ensina as crianças a ler a partir da relação entre os fonemas e suas representações escritas. L + I = Li. X + O = Xo. Lixo!

Outros preferem o método global ou construtivista, considerado mais moderno. Nele, os textos estão integrados ao estudo desde o primeiro momento, estimulando aos poucos o entendimento dos símbolos contidos neles pelas crianças.

Apesar da disputa, ambos os métodos possuem seus méritos e críticas. Existe o problema do analfabetismo funcional, que atinge 29% dos brasileiros. No passado, o problema foi muito conectado ao método fônico, mas a responsabilidade por esse problema vai muito além do método de ensino escolhido. Pesquisadores apontam que o método global apresenta deficiências semelhantes quando existe uma pressão governamental que prioriza a progressão de alunos e a redução de custos, deixando os resultados e a efetivação do aprendizado em segundo plano.

O método fônico parece mais eficiente com relação à alfabetização, mesmo no ensino inclusivo. O método global, porém, se foca em ir além da funcionalidade do aprendizado da escrita e adianta o processo de letramento, que precisa ser feito posteriormente no caso do fônico.

O maior vilão não é o método de alfabetização e letramento

Resumidamente: o método global considera alfabetização e letramento indissociáveis, enquanto o fônico prioriza o conhecimento do código para depois aperfeiçoar seu uso em outras disciplinas, como a literatura e o ensino da língua portuguesa. Ambos funcionam, mas o professor tem pouca liberdade para decidir qual usar.

Os educadores possuem cada vez menos autonomia em sala de aula, precisam justificar sobre toda e qualquer mudança no plano de ensino e recebem pouco apoio das instituições para fazer seu trabalho, o que prejudica mais do que deveria a inovação do ensino.

Se a alfabetização enfrenta problemas, o letramento sempre foi complicado. Os brasileiros terminam em média a leitura de dois livros por ano, sendo que pesquisas apontam que menos da metade dos brasileiros leem por prazer, contra 70% dos argentinos. Sem uma cultura de reforço, as crianças não são incentivadas e o processo se restringe às salas de aula.

O desafio continua além das salas de aula

Para ser eficiente, o processo de letramento também precisa contar com a participação dos pais e do núcleo familiar da criança. Se não houver um reforço positivo do ato de leitura e posteriormente da escrita, além do estímulo ao pensamento crítico sobre o que está sendo lido, dificilmente essa competência irá se desenvolver.

Quando não existem incentivos além do ambiente escolar, o letramento infantil pode ser muito prejudicado. Infelizmente a maioria das famílias brasileiras não adotam hábitos de leitura e perpetuam uma noção de que literatura é algo chato.

Mesmo sem esse apoio familiar, é importante incentivar a leitura de livros pelas crianças. O processo de alfabetização e letramento ganha força principalmente se a literatura for mostrada como algo lúdico. E o aluno ganha um hábito para toda a vida.

Como trabalhar alfabetização e letramento

Existem práticas que podem ser adotadas para facilitar os processos de alfabetização e letramento independente se o método adotado é o fônico ou o global.

Uma prática importante é identificar os diferentes níveis de aprendizado dentro da sala. As crianças costumam chegar na fase de alfabetização e letramento já com uma pequena bagagem de conhecimento, então é preciso saber quem está mais adiantado e quem vai começar o processo do zero.

É importante também adotar leituras mais simples e práticas, como listas, propagandas e gibis, para complementar os textos mais longos e complexos. É importante que a criança aprenda o código antes de tentar dar significado a ele.

A teoria dos Gêneros Textuais como forma de ensino também é bem difundida nos cursos de licenciatura hoje em dia. Aprender a ler é uma coisa, mas o letramento se dá de fato quando a criança entende a relação da linguagem com o mundo. Tendo contato com as diferentes formas de se comunicar – carta, propaganda, livro, etc. -, aprende-se não só a ler, mas a interpretar.

Livro aberto em colo de criança. Alfabetização e letramento.

Depois que a criança começar a entender a leitura dos símbolos, ou seja, das letras e palavras, o professor pode fazer leituras dirigidas, lendo textos em voz alta na companhia das crianças e questionando as intenções do autor com cada frase, ajudando as crianças a entender significados mais amplos por trás das palavras.

Elas ainda adquirem o hábito de questionar-se sobre o significado do que leram, algo que a linguística moderna caracteriza como Análise do Discurso. É claro que a criança não vai aprender agora esse conceito, mas pelo menos vai entender que a intencionalidade do que se é dito está presente em toda parte, inclusive nos textos que ela está lendo naquele momento.

Sempre estabeleça algumas atividades rotineiras de leitura e escrita, que serão permanentes e farão os pequenos estarem prontos no dia a dia para a leitura.

É importante adotar práticas positivas no trabalho com alfabetização e letramento, incentivando as crianças a abraçarem os hábitos de leitura e escrita. Isso ganha mais força tendo os pais como aliados.

Alfabetização e letramento são assuntos que, pelo que você pôde perceber, ainda não possuem consenso sobre a melhor maneira de serem trabalhados. Cabe às professoras e professores o estabelecimento do ensino do futuro, uma missão nada fácil, mas com a melhor das recompensas.

Se gostou dessas dicas, vamos continuar essa conversa no artigo que escrevemos sobre as diferentes metodologias de ensino!