Educação Escola

Base Nacional Comum Curricular: o que muda na educação infantil?

base Nacional Comum Curricular
Escrito por Lilo

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), novo guia do governo que irá orientar a elaboração dos currículos de toda a rede de ensino do país, está prestes a ser adotada no Brasil. A perspectiva de mudança trazida por algumas normas da BNCC nem sempre é vista com bons olhos, principalmente porque algumas podem exigir uma adaptação pesada por parte das escolas.

Informação é essencial nesse momento. Nesse artigo, vamos te mostrar o que muda com a Base Nacional Comum Curricular e as diferenças em relação ao que é praticado hoje. Esse conhecimento é importante para entendermos como a educação infantil vai ser influenciada e o que precisa ser feito na sua escola.

Vamos nos informar!

Ilustração de criança lendo: a Base Nacional Comum Curricular irá adiantar a alfabetização.

A linha do tempo da BNCC

A existência de uma Base Nacional Comum Curricular está prevista desde a promulgação da nossa Constituição, em 1988. Apenas em 2015 a sua primeira versão foi para consulta pública e o documento final foi homologado em 2017.

Em 2018, a BNCC foi novamente discutida e passou por considerações regionais, com os Conselhos Estaduais de Educação e seus equivalentes municipais articulando como as culturas regionais poderiam ser exploradas nas diretrizes.

A previsão é que em 2019 é a Base Nacional Comum Curricular comece a ser aplicada como fundamento para o ensino, de forma que em 2020 ela esteja plenamente implementada no Brasil. Caberá aos órgãos supervisores de ensino estaduais e municipais a fiscalização desse processo.

Como era antes

Antes da criação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as diretrizes adotadas eram as contidas no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI).

No RCNEI, o foco era orientar em relação às disciplinas que deveriam ser ensinadas, listadas da seguinte forma: matemática, artes visuais, música, linguagem oral e escrita, natureza/sociedade, conhecimento de mundo e identidade e autonomia.

Enquanto o RCNEI tem como foco o conteúdo, o DCNEI, posterior, é mais moderno, direcionado a colocar a criança como protagonista do processo educacional. Ele fala sobre a importância da interatividade e das atividades lúdicas como ferramentas para trabalhar os conteúdos. Também define princípios estéticos, éticos e políticos a partir dos quais a reprodução do conhecimento deve ser pensada..

Criança escrevendo em bloco de notas: a Base Nacional Comum Curricular pretende diminuir a idade de alfabetização

Quais as mudanças da Base Nacional Comum Curricular

A BNCC estabelece cinco Campos de Experiência que passam a substituir as disciplinas no RCNEI como norte para o conteúdo ensinado, além de instituir Seis Direitos do Aprendizado.

Pela Base Nacional Comum Curricular, a criança é definida como centro do processo de aprendizado e exige que mesmo nas atividades dirigidas por professores todas devem ter tempo e espaço para serem participantes ativas, o que significa que todas as crianças merecem atenção de forma semelhante.

Algumas mudanças mais sólidas da BNCC são a previsão de antecipar a alfabetização, que passa para o segundo ano do fundamental, um ano a menos do que era praticado anteriormente. Também muda o ensino de língua estrangeira, que agora deve ser obrigatoriamente o inglês.

O conhecimento de matemática também passa a ter como foco a resolução de problemas, ao contrário do previsto anteriormente, que priorizava as técnicas. Por fim, o ensino religioso passa a ser facultativo.

Os 5 Campos de Experiência

Os cinco Campos de Experiência que a Base Nacional Comum Curricular usa para decidir quais são os conhecimentos necessários para a formação infantil são semelhantes às disciplinas do RCNEI e servem como referência para que o professor saiba o que trabalhar.

Para ajudar entender, vamos verificar quais são eles:

O eu, o outro e o nós: é um campo de experiência do BNCC que foca em trabalhar a identidade da criança ao mesmo tempo em que explora sua sensibilidade e empatia;

Corpo, gestos e movimento: esse campo de experiência tem como foco a exploração do espaço e o desenvolvimento da coordenação motora como base para realização de outras formas de conhecimento como a escrita e a expressão artística;

Traços, sons, cores e formas: esse é o campo que trabalha formas geométricas, cores, traços e sons como ponte para conhecimento científico e para a expressão artística

Escuta, fala, pensamento e imaginação: aqui se trabalha a comunicação através da leitura e da escrita, usando histórias reais e imaginárias como uma ferramenta de aprendizagem;

Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações: um campo de experiência onde se exploram as noções espaciais e a relação da criança com a passagem do tempo;

Os 6 Direitos da Aprendizagem

Além dos Campos de Experiência, o processo educacional precisará respeitar os seis Direitos da Aprendizagem descritos na Base Nacional Comum Curricular. São eles:

Conviver: a criança tem o direito de que seu aprendizado seja coletivo, convivendo com outras crianças de origens variadas que contribuam para o enriquecimento de sua experiência de vida;

Brincar: a BNCC defende o direito da criança de se divertir durante o processo de aprendizagem, reconhecendo a necessidade de atividades lúdicas na infância;

Participar: outro direito reconhecido na BNCC é o de interação, que compreende a necessidade da criança de estar incluída em seu processo de aprendizado como mais do que um mero espectador;

Explorar: a criança tem o direito de caminhar sozinha pela direção que sua curiosidade e de ser apoiada nessa caminhada;

Expressar: o reconhecimento de que a criança tem direito a liberdade de expressão para seus pensamentos e desejos, sem discriminação de suas ideias em formação;

Conhecer-se: a criança tem o direito, defendido na BNCC, de explorar a consciência sobre si mesma, seu corpo e sua identidade.

A implementação dos Direitos de Aprendizagem e dos Campos de Experiência previstos na Base Nacional Comum Curricular irão mudar a forma como se faz o ensino no Brasil, desde a educação infantil até o ensino médio. Por isso, é necessário que o educador se adapte o quanto antes e estude o que será implementado para que essa transição seja proveitosa para todos.

Se você quer se manter atualizado sobre as mudanças na forma de ensino e quer dicas sobre como implementar conceitos e atividades entre seus alunos, acompanhe o nosso blog.