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Natal é mais do que ganhar presentes: evitando o consumismo na infância

Criança ao lado de presentes de Natal: é preciso tomar cuidado com o consumismo na infância nesse período do ano.
Escrito por Lilo

Natal pode ser uma época de dar e receber presentes, mas é também um momento para refletir sobre o consumismo na infância. Afinal, é nessa época do ano que as crianças ficam mais vulneráveis a um discurso nocivo que associa felicidade a bens materiais.

Para conscientizar os pequenos sem abrir mão das tradições de Natal, é preciso muita conversa e compreensão. Também é preciso ficar atento para saber identificar quando o consumismo na infância se torna algo exagerado, que precisa ser combatido.

Vamos compreender esse assunto mais a fundo?

O que é o consumismo na infância

Existe uma enorme diferença entre a manifestação de um forte consumismo na infância e o desejo da criança por presentes ou objetos. Todos nós desejamos coisas e isso é até importante para nossa personalidade e identidade.

A questão é quando o consumismo na infância se torna um problema e começa a afetar a relação da criança com outras pessoas e até sua formação psicológica. Isso é muito comum quando os bens materiais surgem como forma de compensar outros elementos que podem estar ausentes na vida da criança, como a presença dos pais no dia a dia, ou como a única moeda de troca para que ela cumpra suas obrigações.

A indústria do marketing há muitos anos usa a vulnerabilidade das crianças às mensagens de propaganda como ferramenta de persuasão. Elas são mais passíveis de sentir a necessidade de comprar algum produto quando a propaganda é feita com os estímulos certos para chamar sua atenção, fomentando os índices de consumismo na infância.

O resultado dessa estratégia é um contingente cada vez maior de crianças que associam datas comemorativas exclusivamente como uma oportunidade de ganhar presentes.Um sinal importante de consumismo na infância é a transformação de eventos como o Natal em uma data de consumo, deixando os demais significados de lado.

As birras: sinal de alerta

É normal que em uma certa fase da vida a criança teste os limites dos pais com birras. Isso é um estágio natural de desenvolvimento pelo qual todas as crianças passam.

Entretanto, com o bombardeio do marketing focado em alimentar o consumismo na infância, essas birras podem estar sendo usadas para conseguir aqueles brinquedos que foram estimulados a desejar. É aí que mora o perigo.

Criança chorando: o consumismo na infância pode se manifestar como birras ao exigir presentes.

 

O “Não!” é muito importante para a formação das crianças. É através dele que elas entendem que o mundo impõe suas regras, e que para viver em harmonia com elas próprias e com o resto da sociedade, é necessário respeito e paciência. Algumas coisas dão certo, outras não. Colocar limites em relação ao consumismo na infância é também zelar pela inteligência emocional das crianças.

O mal do século é a ansiedade, e o consumismo na infância, infelizmente, é um motor que mantém funcionando os mecanismos que estimulam crianças a se tornarem ansiosas. É aquele necessidade de sempre ter o melhor, de sempre medir o valor de brinquedos pelo que os outros tem, a compulsão por sempre ter mais e, consequentemente, sempre comprar.

O consumo consciente, pautado na diversão e na preferência acima do consumismo na infância, que dita modas, tendências e produtos que precisam ser comprados para se ter um “lugar ao sol”, reduz a ansiedade e permite que a criança faça o que ela precisa fazer: se divertir.

Consumismo alimentado pela relação entre pais e filhos

Muitos pais dedicam uma grande quantidade de tempo ao trabalho, em busca de melhores condições de vida para os filhos. Esse esforço, no entanto, gera sentimentos conflitantes e problemáticos: então está tudo bem a ausência se eu ganho presentes? Pessoas que se afastam podem “comprar” a presença com presentes?

E tem outro ponto: se a criança ganha presentes sempre, qual é o valor dos presentes? Essas situações são a dos piores tipos: aquelas que acompanham o indivíduo da sua infância até a idade adulta. Tome muito cuidado.

Se a criança começa a associar idas ao shopping a um brinquedo novo ou uma ida ao supermercado a mimos na forma de doces e outros alimentos, só para satisfazer um desejo imediato, temos um sinal de que os pais precisam impor limites para não alimentar o consumismo na infância.

Em alguns casos, o problema do consumismo na infância é originalmente causado por uma associação que próprios pais fazem de que os bens materiais e felicidade. Nesse caso, precisamos reconhecer nossos problemas para não perpetuarmos eles nos pequenos.

Evitando o consumismo na infância

Garoto recebe presente do Papai Noel: é preciso que a criança entenda a data para evitar o consumismo na infância.

Para começar a combater o problema do consumismo na infância em casa, é preciso mostrar que nem sempre os produtos mais caros ou novos são os mais divertidos, e que é possível brincar e se divertir com pouco.

Mostre para seu filho que fazer um brinquedo em casa, usando material reciclado, pode ser muito mais interessante, e aproveite para falar sobre a importância de contribuir para a preservação do meio ambiente. Assim o novo objeto perde o valor de posse e se torna sinônimo de fazer o bem, um valor que deve ser cultivado desde cedo.

Também é importante estimular o desprendimento para combater o consumismo na infância. Fale com os pequenos sobre a importância de doar os brinquedos que eles não usam mais, principalmente os que ainda estão em boas condições. Isso pode se tornar um evento de final de ano na escola, mostrando a alegria de dividir é uma ótima forma de transformar o materialismo em sensibilidade.

Além dessas medidas, é sempre importante blindar a criança de influências que alimentem o consumismo na infância, como as propagandas de televisão e os anúncios na internet, que passam batido pela regulamentação do setor. Evite também passeios muito frequentes aos shopping e dialogue sempre com aos pequenos sobre como ter muitas coisas não é sinônimo de felicidade.

O consumismo na infância é um assunto sério que precisa receber atenção duplicada no período do Natal. Se você, pai ou educador, dedicar-se um pouco a desconstruir essa ideia entre as crianças, pode acabar fazendo uma grande diferença na vida da criança e até evitar uma relação de compulsão por compras no futuro.

Se você quiser saber mais a respeito de como estimular valores positivos na vida das crianças, comece trabalhando a sensibilidade dos pequenos. Isso os ajudará a crescer com outras prioridades que não o consumo desenfreado.