Educação

Cortes na educação infantil: entenda o que realmente aconteceu

Escrito por Lilo

Embora atinja apenas as escolas do sistema público, é importante que o educador conheça os impactos dos cortes na educação infantil

Qualquer que seja o tipo de escola que o professor ou gestor trabalhe, pública ou privada, o fato é que todos temos interesse no sucesso das instituições de ensino. Afinal, sabemos o quanto elas são essenciais para o bem da sociedade e o progresso do país. Por isso, os cortes na educação infantil e os desdobramentos dessa medida atingem, mesmo que indiretamente, a todos nós.

Por isso, vamos explicar o que de fato aconteceu e de que forma diferentes setores serão afetados pela medida. Acompanhe!

Cortes na educação infantil: entenda o alcance da medida

É de conhecimento geral que o Brasil passa por um momento delicado. A necessidade de ajuste no orçamento tem gerado cortes em diversos setores, o que atingiu também a Educação.

A medida foi tomada a partir de um decreto de contingenciamento emitido pela área econômica do governo. O objetivo é economizar 30 bilhões de reais ao cortar despesas de vários setores do governo. Ficou ao encargo do Ministério da Educação reduzir seus gastos em 7,3 bilhões, o que equivale a 23% do total.

A princípio, foi divulgada a informação de que a medida atingiria apenas as universidades públicas. Porém, a seguir houve uma retificação. O contingenciamento prevê cortes na educação infantil e em todos os outros níveis de ensino, até a pós-graduação.

No entanto, o governo tem procurado tratar a questão não como um corte. O termo usado para se referir à medida é “congelamento”.

Somente na etapa da Educação Básica, que inclui a educação infantil, os cortes somam 680 milhões de reais até o momento.

Cortes na educação infantil: impacto sobre as atividades educacionais

Criança sentada de pernas cruzadas sobre pilha de livros coloridos, enquanto lê um livro.

Como a medida atinge os diferentes níveis de ensino, haverá restrição nas verbas que seriam destinadas ao ensino técnico, bolsas de pesquisa, custeio de universidades federais, entre outras. Quanto aos cortes na educação infantil, especificamente, iniciativas como a construção de escolas, provisão de livros didáticos e transporte escolar estão entre as mais atingidas.

Só em relação à construção e manutenção de pré-escolas e creches, foram “congelados” 17% dos 125 milhões do orçamento previsto e autorizado para essas ações. Houve ainda um corte de 8% dos recursos destinados à compra de livros. Isso equivale a 144 milhões de reais. A porcentagem é semelhante à do programa para compra de veículos para transporte escolar. Ele perdeu 7% de seu orçamento, ou seja, 23 milhões de reais.

Cortes na educação infantil: o que acontece com as escolas?

2 professoras prendem os cabelos de 2 crianças em sala de aula. Uma terceira criança está em pé olhando para a professora.

Existe a expectativa de retomada dos investimentos na Educação. Porém, segundo o ministro da Educação Abraham Weintraub, para que isso aconteça, a aprovação da reforma da Previdência é essencial.

Surpreende ainda o fato de que a medida vai completamente contra as posições defendidas pelo atual presidente desde sua campanha eleitoral. A proposta era aumentar o investimento na Educação Básica, mesmo que para isso fosse necessário reduzir o ritmo de crescimento do Ensino Superior.

Mas afinal, o que pode acontecer com essas escolas após os cortes na educação infantil e no orçamento do MEC, em geral?

Não é novidade que, no Brasil, a educação ainda não atingiu a qualidade necessária. Além de deixar a população desatendida quanto a um direito básico e não proporcionar o conhecimento necessário para a formação de profissionais competitivos, esse quadro prejudica o país no mercado internacional.

Portanto, esse seria o momento para investir mais em educação, melhorar significativamente a qualidade do ensino e tornar o país competitivo a médio e longo prazo. A redução do orçamento inviabiliza esse progresso e, portanto, prejudica o país como um todo.

Alguns programas sofrerão um impacto significativo. Como já citamos, a construção e manutenção de creches e pré-escolas está entre eles. Em um país onde um terço das crianças entre 0 a 3 anos mais pobres está fora das creches por falta de vagas, essa é uma medida que agrava a situação.

Podemos pensar nos impactos a curto e longo prazo. Para o desenvolvimento das crianças, existem implicações irreversíveis causadas pelo déficit nutricional e de estímulos sofrido nessa faixa etária. Estudos mostram que essa condição afeta a renda e a escolaridade da população, anos mais tarde.

Por outro lado, a falta de creches afeta a presença de mães no mercado de trabalho. O resultado é o prejuízo na renda familiar, o que gera um círculo vicioso que perpetua a carência e o subdesenvolvimento do próprio país.

Em outros níveis de ensino, algumas instituições estão se manifestando e classificando como devastadores os efeitos dessas medidas. Isso acontece com escolas tradicionais, como o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e também com muitas universidades, que estão questionando sua própria viabilidade de funcionamento diante da restrição de verbas.

Como educadores, esperamos que a situação seja solucionada em breve e que esses cortes sejam revistos, possibilitando o pleno funcionamento e a melhoria da qualidade nas instituições de todos os níveis de ensino.

E você, conhece os principais desafios da escola de educação infantil? Quer conhecer melhor esse tema?Continue no blog e confira nosso post completo sobre o assunto!